David Douek

IN MEMORIAM

SINAGOGA OHEL YAACOV 1962 - 2002

David Douek
(IN MEMORIAM)

Ao emigrar para São Paulo, no começo dos anos 60, o sefaradi ressentiu-se na condução do rito da Sinagoga da Abolição. A religiosidade do imigrante David Douek foi logo percebida por Isaac Levy, que pouco depois o nomeou para “diretor de culto''.

O industrial David Douek, judeu observante não sionista, de cidadania italiana, emigrou do Cairo somente em 1962, quando percebeu que os "egíp­cios não nos queriam mais". Em São Paulo, estabeleceu-se na Bela Vista, nas imediações da Sinagoga da Abolição, em obras finais de reconstrução. Seu pai, Cohanim de Alepo, da família Gamal (ou Djmal), fixou-se no Egito em 1900, fugindo do serviço militar exigido pelos otomanos.

A maioria egípcia da Sinagoga da Abolição, agora Templo Israelita Brasi­leiro Ohel Yaacov, determinou a direção e entonação das rezas na sinagoga. David Succar foi chamado para conduzir os rituais como chazan. Os dois Sefarim que David Douek havia trazido do Egito passaram a ser utilizados na sinagoga.


A linha adotada por Douek, len a ciue o coral, organizado por Enzo Ventura, fosse substituído pelo "canto dos correligionários" . David Douek aproximou-se do grupo Beit Chabad, de linha religiosa ortodoxa. Elie Mizrahi, participante do mesmo grupo, foi contratado para Chazan e ocupou, por dois anos, a posição do avô Elias Mizrahi.

Respeitando a origem da sinagoga, David Douek buscou mantê-la receptiva a todos os judeus que a procurassem, independente da origem e "privilégios de riqueza": da mesma forma que os ismailis, a atual diretoria não privilegia a ocupação dos assentos no interior da sinagoga. Reformando a beneficência, os diretores da Sinagoga Ohel Yaacov mantêm assistência a 45 famílias da comunidade judaica de São Paulo, em especial, nas Grande('s Festas.


Hoje a Sinagoga da Abolição, embora tenha sido templo de abrigo de judeus de várias origens, distante das residências dos associados, apresenta-se vazia de fiéis. A maioria passou a rezar nos templos próximos às residências. Embora David Douek, "inspirado por Deus", idealizasse a sinagoga no centro de uma praça, permitindo a afluência de carros e pessoas, recentemente, o Presidente· Isaac Levy, contando com o apoio unânime dos 148 sócios do templo, decidiram pela permuta do terreno da sinagoga por outro, próximo de suas residências, na região dos Jardins, onde um moderno templo será construído pelo empresário sefaradi, Senor Abravanel mais conhecido como Sílvio Santos.


Texto extraído da publicação Imigrantes Judeus do Oriente Médio, de autoria de Rachel Mizrahi (São Paulo 2003) após pesquisas sobre o tema e após ter entrevistado meu pai David Douek (Z”L) antes do seu falecimento em Janeiro 2002; o que nos deixa uma abençoada memória e eterna saudade!


Sami Douek em 6 de junho de 2022
Com os meus mais sinceros agradecimentos à Sra. Rachel Mizrahi pela notável obra à nossa comunidade.